quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Ruim demais pra ser publicado.

E de todos os ditados e frases clichês que me acompanharam até hoje, sobram apenas aqueles que eu nunca segui. Tanta coisa que aprendi, tanta coisa que esqueci, e mais tanta coisa que nunca sequer usei. Uma fórmula matemática, uma quebra de carbonos, uma maneira de identificar cobras peçonhentas de simples cobras coloridas e indefesas. O que ficou disso tudo e mais daquilo que aprendi fora foi a não ter pressa, pois ela é inimiga da perfeição e que, o que os olhos não veem o coração não sente. É fácil decorar, o difícil mesmo é colocar na prática uma coisa tão tosca e tão popular.

(Como eu gostaria que as aulas voltassem logo)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

A história dos animais

É aquela velha história do rato que é perseguido pelo gato que é perseguido pelo cachorro que por sua vez é perseguido por qualquer animal maior que ele. Racional ou irracional. Poderia dar nomes aos ratos e gatos e cachorros, mas complicaria mais ainda minha situação.

Alice quer sair com Ernesto e Rafael enquanto Ernesto não dá a mínima pra Alice e o Rafael dá um bolo nela. Enquanto isso Pedro lembra a Alice do bom tempo que passaram juntos enquanto (h)Enrique liga pra Alice enquanto ela está com o Rafael pra sair com ela sem compromisso algum.
Alice fica brava porque não saiu com o Rafael e chora suas mágoas pro Ernesto que por sua vez não dá a mínima, já que ele não gosta da Alice. -pausa pra pegar o cinzeiro- Alice, enquanto fuma pensa na maneira mais fácil de conseguir o que quer sem mexer muitos pauzinhos. Ela quer que pareça natural.

domingo, 26 de julho de 2009

A história da goteira

Ela gostaria que todos os seus desejos se realizassem. Como o de chover no domingo como ela esperava. E enquanto conversávamos sobre o final de semana e das desventuras e das conversas que tivemos ela se lembrou da goteira insuportável no quarto dela. Lembrou de quantas vezes e quantos profissionais ou não profissionais tentaram consertar, e quantas maneiras diferentes de resolver o problema foram necessárias pra não arrumar nada e, no fim, só piorar a situação. Foi aí que veio a comparação. Ela era a goteira do quarto dela. Aquele problema sem solução, persistente, insistente e totalmente irritante. E assim como a água que pingava do teto em certas épocas do ano, os problemas também surgiam assim. Talvez com mais frequência no inverno e na primavera. Coincidentemente as duas épocas do ano que ela mais gostava. Incrível como ela sempre reclamou do calor excessivo do verão e o vento gelado do outono. Não fazia muito sentido aquela conversa pra mim. Eu faço mais o tipo que escuto e balanço a cabeça enquanto ela era do tipo que gostava de ouvir e dar opiniões. Nunca foi meu forte dizer o que pensava até porque muitas vezes as respostas contradiziam com a vontade real do interessado em ouvi-las. E enquanto ela mudava de assunto e depois voltava pra goteira eu lia a parede forrada de papéis e folhas de livros velhos e histórias que faziam parte da vida dela. Na verdade algumas dessas folhas faziam. As outras eram só pra ocupar o espaço vazio na parede. Interessante ver tudo isso. Foi quando ela começou a falar que, por mais que gostasse da parede, era outra coisa que a incomodava, pois a maior parte do que estava lá era o passado dela, que não condizia com o que ela queria ser hoje. Foi aí que ela lembrou da goteira e lembrou que tem certas coisas que não mudam nunca. Ela acendeu um cigarro, deu uma tragada e continuou a contar sobre o final de semana.

A história da goteira entrou em esquecimento. Pelo menos até a próxima chuva.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Os tempos mudam

Já não adianta mais esforçar meus últimos neurônios tentando escrever como antes. O tempo não volta. As emoções não voltam. Nada mais funciona. As luzes e as cores e a intensidade delas já não são mais as mesmas. Os diálogos se perdem na fumaça, que vem junto com o silêncio de cada tragada. Os corações batem com menos intensidade. Todos os sentimentos e vontades e desejos ficaram presos num passado. Numa dimensão paralela e inversamente proporcional a dimensão de hoje. Se é que essa não seria outra dimensão paralela e extremamente insuportável. O que eu tenho me irrita. O que não tenho me instiga. Quando o consigo, já não quero mais. Não vale a pena perder o tempo tentando. Não sei quanto tempo tenho. Não posso gastá-lo com o que não me interessa. Os tempos mudam, as vontades são as mesmas, as ações, nem tanto.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Sobre imagens e contos

Estou intensamente apaixonada por uma imagem e duas dúzias de contos. Quando os leio acredito piamente que é esse o cara pelo qual esperei todo esse tempo. É o tipo de cara interessante com conversa inteligente do qual eu sempre esperei. Porque qualquer um pode se fingir inteligente. Se fingir interessante é bem mais difícil. E acredite, eu sei disso por experiência própria.

Ela é o tipo de mini maxi enciclopédia ambulante. Um metro e setenta e sete e conhecimentos básicos de tudo que se possa imaginar. Carros, revistas, filmes, futebol, drogas, outras vidas, religiões...

Ela te surpreende com palavras difíceis e sujas enquanto joga seu cabelo pra trás. Ela sabe que consegue prender sua atenção. Ela também sabe que não vai ser por muito tempo. E qual o problema em não ser suficientemente interessante? Qual a vantagem de longos relacionamentos regados a mentiras e traições?

Seus objetivos são tão perdidos quanto seu isqueiro rosa em sua bolsa. E ela é mais perdida ainda. Acredita que não importa o caminho que se segue já que pra ela, qualquer lugar serve. Uma alma vagando sem rumo. Um corpo que chama a atenção. Um coração feito de pedra.

terça-feira, 28 de abril de 2009

I told you so

Stop being so stupid - She said. - He's not into you. He doesn't give a damn. Imagine this, you die, he won't shed a fucking tear cause you mean nothing to him.

- Okay, but what about all the conversations, all the secrets and the great time we spent together?

- Just an illusion. I can't believe you haven't learned anything from your past relationships. 

- I learnt a lot. I just thought this time would be different. I thought he was different.

- Well, it seems you were wrong again. And what this lesson tells you?

- Don't ever stop looking, and someday I'll find the right guy?

- No stupid. Everybody Lies. You'll never be good enough to anyone. Close your heart. Or sell it on Ebay. I guarantee you, the profit would be bigger. 

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That's when I got out of the bathroom. I swore never to look at that mirror again.

sábado, 6 de setembro de 2008

the saddest girl holding a martini

Eu gostaria de saber de onde eu consigo tirar todo esse mar de lamentações que eu tenho dentro de mim. Queria aprender a ser mais controlada emocionalmente. Qualquer coisa acaba comigo. Do mais simples problema até aquele insuperável. A diferença é o jeito que eu ajo diante de cada um deles..

A raiva que eu sinto com problemas sérios e como eu caio em prantos, e me afogo no meu próprio sofrimento, escolhido única e exclusivamente por mim.

Eu queria aprender a dar mais importância pra quem tá do lado, e entender os limites e as distâncias.

Seria legal ter menos ódio. Um ódio geral, que corrói cada pedacinho bom que ainda tem dentro de mim.

Queria aprender a gostar menos de terceiros, quartos, quintos.. Queria aprender a não gostar de ninguém. Nunca mais. Quero me desprender disso tudo. Deixar a vida me levar e lembrar que esse mundo é só meu.. Esse é o meu mundo.. Você vive nele. Não sou eu que vivo no seu.. Eu queria existir nesse meu mundo sozinha de vez em quando. Queria que o tempo parasse pra eu poder respirar uma só vez o ar do comecinho do Universo, quando o meu mundo nem era mundo. 

Eu quero mudar e deixar pra trás todas essas Letícias que não fazem parte de mim. Elas me dominam como uma personalidade múltipla de um vilão mascarado daquele desenho animado. A diferença é que eu quero o mocinho pra mim.

O problema é que mudanças demoram a acontecer, e quando acontecem são tão sutis que a gente só percebe quando mudou completamente. E enquanto isso não acontece, eu me vejo amargurada, tomada por toda dor do Universo, como se eu sentisse a dor de cada um que eu vejo, sinto, respiro.

Eu quero respirar do alto do prédio do décimo quarto andar de novo. Lá o mundo era só meu. Lá eu podia ser quem eu quisesse ser. Lá eu ainda sou isso, e sei que você está lá me esperando.